Bule Bule

Foto: Leonardo Albuquerque

Um dos mestres da cultura popular nordestina mais renomados do Brasil, o baiano Bule Bule nasceu Antônio Ribeiro da Conceição, em 1947, em uma região onde as influências culturais do sertão e do recôncavo baiano se misturam e contribuíram decisivamente para o arcabouço artístico do poeta. Figura emblemática da cultura popular, considerado o maior repentista da Bahia, também é cordelista, com mais de 100 títulos publicados, um exímio sambador e tiraneiro, e um forrozeiro de grande valor, atributos que podem ser conferidos em seus oito discos e dois DVDs gravados em mais de 45 anos de carreira.

Ao longo da sua trajetória, Bule-Bule fez shows e concedeu palestras nos quatro cantos deste Brasil e do mundo, divulgando a cultura popular nordestina. O reconhecimento pela sua arte como repentista, cordelista, sambador, tiraneiro, forrozeiro e brincante se deu em 2008 quando foi condecorado com a maior premiação brasileira para a Cultura, a Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura (MinC). A Ordem do Mérito Cultural é uma ordem honorífica dada a personalidades brasileiras e estrangeiras como forma de reconhecer suas contribuições à cultura do Brasil.

Geraldo Amâncio

Foto: Leonardo Albuquerque

Cantor, violeiro, poeta, escritor.  Nascido no Cedro (CE), em 1946, até os 17 anos de idade trabalhou na roça. Cursou faculdade de História em Fortaleza (CE), iniciou a sua carreira de repentista em 1963 e participou de centenas de festivais em todo o país, tendo se classificado mais de 150 vezes em primeiro lugar.  Organizou festivais internacionais de repentistas e trovadores, além do Festival Patativa do Assaré.

É autor de três antologias sobre cantoria em parceria com o poeta Vanderley Pareira.  Gravou 15 CDs ao longo da carreira, além de ter publicado cordéis em livros.  Tornou-se referência no meio do repente, sendo um dos mais laureados e respeitados, tendo um público imenso fã da sua cantoria. É também cordelista, com destaque para o seu cordel livro, sobre Antônio Conselheiro e a chacina de Canudos.

Leandro Gomes de Barros

Paraibano nascido em 1865, é considerado o rei dos poetas populares do seu tempo. Começou a escrever seus folhetos em 1889. Muda-se para Recife e passa a imprimir  a maior parte de sua obra no próprio prelo ou em diversas tipografias.  Sua atividade poética o obriga a viajar bastante por aqueles sertões para divulgar e vender seus poemas, o que fez com que fosse um dos poucos poetas populares a viver unicamente de suas histórias rimadas, que foram centenas, sobre todos os temas, sempre com muito senso de humor. Câmara Cascudo o descreve como “caboclo entroncado, de bigode espesso, alegre, bom contador de anedotas”, em Vaqueiros e Cantadores.

Na crônica intitulada Leandro, O Poeta, publicada no Jornal do Brasil em 9 de setembro de 1976, Carlos Drummond de Andrade o chamou de “Príncipe dos Poetas” e assinala: “Não foi príncipe dos poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão, e do Brasil em estado puro (…) foi o grande consolador e sátira, passando em revista acontecimentos fabulosos e cenas do dia a dia, falando-lhes tanto do boi misterioso, filho da vaca feiticeira, que não era outro senão o demo, como do real e presente Antônio Silvino, êmulo de Lampião”.

Faleceu em 4 de março de 1918, no Recife.