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XII Bienal do Livro: Encontro Cultura e Pensamento da Secult aconteceu neste sábado

As inovações tecnológicas e a função social da leitura e da escrita. Com este tema, a 4ª edição do Encontro Cultura e Pensamento foi realizada na manhã deste sábado, 22/4, durante a XII Bienal Internacional do Livro do Ceará. O encontro teve como convidados o professor de Literatura da Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central da Uece (FECLESC), Miguel Leocádio Araújo; a coordenadora geral da XII Bienal do Livro do Ceará e coordenadora de Políticas de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), Mileide Flores; e os integrantes do Coletivo Movimento de Arte Resistência e Consciência (MARC), Monique Souza, Gustavo Santana, Patrícia Alves e Kelson Teles. A mediação foi de Lenildo Gomes, coordenador de Conhecimento e Formação da Secult.

O encontro também contou com a participação do secretário da Cultura do Estado do Ceará, Fabiano dos Santos Piúba, que fez a abertura da atividade. “Sejam bem-vindos para tratar desse tema que é fundamental. Recomendo, de antemão, um texto de Antonio Cândido que fala do direito à literatura e gostaria de citar o Gilberto Gil, que, enquanto ministro, falou que fazer o artístico não é mais ditado pela zona Sul do Sudeste ou por críticos, mas pelas periferias do Brasil. A experiência das periferias tem mostrado força e interação com outras linguagens artísticas, no campo da inovação”, destacou.

Pensando a leitura como fator transformador e de resistência, o coletivo MARC, que teve início no bairro José Walter em Fortaleza e participou de ocupações recentes nas escolas da cidade, hoje tem a função de unir coletivos de sarau em Fortaleza nas periferias, escolas e faculdades. Entre os coletivos integrados estão o Sarau da B1, do Jangurussu; Sarau Corpo sem órgãos, do Conjunto Ceará; o Sarau Urbano, do projeto Aldeia Urbana no Itaperi; o Sarau Palmeira das Artes, do Conjunto Palmeiras; e o Sarau Okupaçao, do Baticum das Artes do Antonio Bezerra. Monique Souza, do MARC, levantou o debate para a questão do livro enquanto meio físico.

“Os livros não vão acabar, mas as práticas de leitura estão mudando, muitas vezes, antes de comprar um livro as pessoas vão procurar pelo livro em formato PDF na internet”, comentou.

Segundo Gustavo Santana, a tecnologia vem contribuindo para o acesso à leitura.”A gente caminha acompanhando a tecnologia. Isso contribui porque você não tem dinheiro pra comprar um livro, mas pode baixar na internet. Observarmos na periferia cada vez mais jovens escrevendo poesia na periferia. A gente estimula o pessoal a sair do crime através da leitura”, acrescentou.

Outra integrante do MARC, Patrícia Alves, complementou a fala, acrescentando a falta de conexão dos textos vistos na escola com os jovens na periferia. “O número de leitores cresceu principalmente na periferia. Mas o leitor não se identifica com a vanguarda europeia. Nos não queremos pensar no passado, mas no futuro. Existe uma falta de conexão desses jovens com a literatura que nos é passada. É importante por isso fomentar a literatura marginal, que ele vai se identificar mais. A gente vive num país violento onde o pobre e negro jovem é exterminado. Quando ele escuta que o estudo dele vai brecar o cano do policial militar, como diz numa letra de rap, ele se estimula. Existe arte na periferia, um lado muito lindo. Precisamos ter um olhar de forma mais atenciosa pra isso”, disse.

Leitura e educação

O professor Miguel Leocádio Araújo aproveitou para destacar a relação entre ensino e a leitura no decorrer do tempo.”Comece a ensinar em 1991. Não existia celular. Nossas tecnológicas eram a caneta, o livro e o lápis. Depois surge a possibilidade da internet. Isso foi lento para se popularizar. Mas os professores dos anos 1990 pra cá são formados de outra forma. No ensino antes, só existia a voz de Machado de Assis, José de Alencar, na leitura. Hoje eles aprendem que a voz do aluno é muito mais importante. A voz de grandes autores são inquestionáveis, mas a voz do aluno, em sala de aula, é mais importante”, destacou.

Já a coordenadora da Bienal, Mileide Flores, abordou um panorama sobre a leitura e o livro enquanto política pública. ‘A leitura é o grande motivo da política pública. Ela estimula ao livro e pela frequência à biblioteca. Concordo que o jovem está lendo mais. A pesquisa que diz o contrário é tendenciosa, pra vender livros. Ela não é feita na biblioteca, para saber quantas vezes as pessoas leram o mesmo livro, por exemplo”, ressaltou.

O secretário da Cultura do Estado, Fabiano dos Santo Piúba, também entrou no debate, apontando para relações entre o livro, leitura e as tecnologias abordadas pelo MARC. “A tecnologia é a leitura. A experiência da leitura. O resto é suporte. Acho que podemos encontrar um ponto em comum. A escrita e leitura são tecnologias humanas mais potentes pra se relacionar com o outro. Sempre me incomodou muito quando se fala em novas tecnologias. A verdadeira tecnologia é essa. A própria experiência da leitura é intertextual”, refletiu.

Encontros Cultura e Pensamento

Inspirado em programa criado em 2005 pelo Ministério da Cultura, o ciclo de Encontros Cultura e Pensamento se propõe a circular por espaços do interior do Estado e da cidade de Fortaleza, com o objetivo principal de discutir modos de fazer, conhecer e pensar arte e cultura em seus diversos aspectos, no que tange às tecnologias emergentes, às políticas públicas, às culturas juvenis, às intervenções urbanas, ao patrimônio, à educação e aos processos criativos. Os Encontros Cultura e Pensamento são uma realização da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), por meio da Coordenação de Conhecimento e Formação da Secretaria.

Acompanhe toda a cobertura fotográfica da XII Benal Internacional do Livro do Ceará em nosso flickr, acesse aqui.