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Encerramento da Bienal do Livro do Ceará foi marcado por momentos emocionantes, show do Quinteto Agreste e grandes resultados para a cultura cearense

 

A XII Bienal Internacional do Livro do Ceará teve seu encerramento na noite deste domingo, 23/4, no Centro de Eventos do Ceará. Após uma programação de último dia marcada pelo diálogo com o escritor Ignácio de Loyola Brandão e roda de saberes com os mestres da cultura Zé Pio, de Fortaleza, e Aldenir, do Crato, no auditório do Centro de Eventos, o público conferiu um show com o Quinteto Agreste, que entoou o tema da Bienal logo na primeira música, em um emocionante improviso: “Cada pessoa, um livro; o mundo, a biblioteca”, além de um flash mob realizado pelo grupo Vitrola Nova, com o tema musical “Redescobrir”, de Gonzaguinha.

Foto: Leonardo Albuquerque

Durante a solenidade de encerramento, o secretário da Cultura do Estado do Ceará, Fabiano dos Santos Piúba, dedicou a 12ª Bienal do Livro ao povo cearense e fez questão de agradecer toda equipe que participou da Bienal, passando por curadores, equipe de produção, de coordenadores e de comunicação.

O momento foi de emoção quando o secretário contou a história de Douglas Girão e Régis Oliveira, jovens de Pacajús, que foram convidados a subir ao palco. “Conheci esses jovens aqui na Bienal. Eles me contaram que há pelo menos um ano se planejaram para virem à Bienal. E vieram somente com o dinheiro de ir e voltar. Eles foram ao espaço do Café Literário e participaram de uma conversa com o escritor Jéferson Assunção. Eles tinham na mochila um livro de Caio Fernando Abreu e o presentearam. Ouvindo essa história, entramos em contato com eles“, revelou.

Foto: Leonardo Albuquerque

Após comentar mais um pouco da história dos dois garotos de Pacajús, que se alfabetizaram tardiamente e hoje ensinam a mãe a ler e escrever, o gestor falou do convite que fez a eles para visitarem mais dias a Bienal. Além de participarem das atividades, eles foram presenteados com livros.

Foto: Leonardo Albuquerque

“Ouçam as palavras de quem começou a estudar com 10 anos. Existem coisas,nossas que só entendemos quando lemos. Existe uma coisa que só entendo nos livros. Existe uma força que vem dos livros que rompe solidões. O tempo é tão importante e hoje sei disso. Pensei que não podia estar aqui. Apenas obrigado”, disse ao público o jovem Douglas, em um dos momentos mais emocionantes da Bienal.

A Bienal da diversidade, afetos e encontros

“Essa foi uma bienal de encontros, que se marca pela diversidade, mas também há duas palavras aqui que gostaria de destacar: foi um lugar de afeto e encontro. Contra o tempo de violência, houve aqui o tempo da leitura, da literatura e das artes”, acrescentou o secretário da Cultura do Ceará, Fabiano dos Santos.

Foto: Leonardo Albuquerque

 

A coordenadora geral da Bienal e coordenadora da Política de Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca da Secult, Mileide Flores, destacou sua percepção sobre a edição da Bienal. “É muita emoção. Há mais de uma ano vimos pensando nessa Bienal. A Bienal do Livro do Ceará tem crescido bonito de forma competente e tem sido recebida pela população do Ceará como um evento que transforma, que emociona e que faz pessoas saírem de um estado pro outro e entrar lacrimejando no Centro de Evento e dizer ‘que emoção’, ‘que tema’! A gente não tem muito que dizer, a não ser obrigado”, ressaltou.

Já o escritor e curador da Bienal do Livro do Ceará, Lira Neto, falou de transformações pessoais, parabenizando os coordenadores de cada espaço criado na Bienal. “Queira dizer que saio dessa bienal renovado. Os dias são de desencanto. Muitas vezes me pequei achando que a pessoa mais sensata do país era o Belchior, que deu uma forma de sumir. Mas hoje acredito que não. A sensatez está em acreditar que podemos fazer um lugar mais bonito pra gente viver”, disse, dedicando a Bienal a seus filhos e ao público.

A Bienal em números

“Cada pessoa, um livro; o mundo, a biblioteca”. Com este tema, a XII Bienal Internacional do Livro do Ceará celebrou os títulos de papel, que, tanto quanto os moradores, povoam casas e aplacam solidões, como afirmou o escritor português Valter Hugo Mãe, dialogando com a escritora cearense Cleudene Aragão, dois dos 168 autores convidados pelo evento, entre grandes nomes da literatura do Ceará, do Brasil e de diversos países.

Indo além da condição de referência para o setor como o maior evento cultural do Estado, a Bienal foi destaque no dia dos cearenses e visitantes, pautando o livro e a leitura nos meios de comunicação, nas conversas entre familiares, colegas, amigos, com grande e positiva repercussão também nas redes sociais. Autores e leitores, histórias e ideias estiveram fortemente presentes na agenda da sociedade. Com sucesso de público, com mais de 450 mil pessoas passando pelo Centro de Eventos, a Bienal contabilizou uma média de público de 45 mil participantes por dia, mesmo com os problemas no sistema viário da Capital, registrados nos dias 19 e 20.

Foto: Felipe Abud

Além de encontros e experiências inesquecíveis, diálogos com grandes autores, realização de sonhos e de transformações pessoais, a Bienal também se destacou pela forte contribuição à economia do estado. O evento gerou 3.100 empregos diretos e indiretos, com 350 editoras presentes, distribuídas em 110 estandes, trazendo à Bienal cerca de 60 mil títulos, nada menos que 120 toneladas de livros. A movimentação financeira estimada é de R$ 5 milhões montante avaliado como bastante positivo, tendo em vista a atual conjuntura econômica do País.

Estendendo-se ao longo de 10 dias, aberta ao público na maioria deles de 9h às 22h, a Bienal promoveu 125 horas de atividades, entre debates, lançamentos de livros, contações de história, conversas com autores, apresentações teatrais, circenses e musicais, oficinas, jogos, declamações, cantorias, cortejos e muitas outras manifestações. Tudo isso distribuído por mais de 20 salas, em três andares.

As ações da Bienal Fora da Bienal estenderam a programação do evento a outros dez ambientes externos, em Fortaleza e outros quatro municípios cearenses: Aquiraz, Caucaia, Redenção e Itaitinga. As areias da praia do Titanzinho, o jardim de girassóis da Unidade Prisional irmã Imelda em Aquiraz, a comunidade dos índios Anacé, a praia do Vila do Mar, no Pirambu, e as ruas do Centro de Fortaleza, entre outros espaços, contaram com a presença de diversos escritores convidados da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará, mobilizando visitantes, moradores e afetos, em momentos inclusivos e especiais.

Em um dos seus grandes diferenciais, esta foi a Bienal dos mestres e mestras da Cultura do Ceará, presentes todos os dias na programação. A Bienal dos escritores cearenses lado a lado, em todas as mesas de diálogos, com autores de outros estados e países. Da acessibilidade cultural e da educação inclusiva, com a programação especial de experiências sensoriais, de circo e de audiodescrição, além dos intérpretes de Libras. Das crianças que compartilharam leituras com os pais e dos adolescentes de diversos bairros que mergulharam na programação da literatura fantástica, das batalhas épicas e dos RPGs. Dos cordelistas e repentistas que lotaram a todo momento a Praça do Cordel comprovando a força da literatura popular. Dos autores e personagens reunidos nos bate-papos do Café Literário. Da programação de artes e ciências, de agentes de leitura, do Plano Setorial de Livro e Leitura e do Sistema Estadual de Bibliotecas. Das gerações saudosas do Cais Bar reunidos em rodas de música e conversa no espaço Fortaleza Boêmia.

Turismo cultural

O calendário da Bienal do Livro do Ceará, situado este ano entre dois feriados nacionais (Semana Santa e Tiradentes), explicitou o potencial do Estado para o turismo cultural. A Bienal atraiu ao Centro de Eventos moradores de Fortaleza que aproveitaram os feriadões para viajar nos livros, assim como cearenses do Interior que vieram de seus municípios para visitar a Bienal e turistas em trânsito por Fortaleza nos dias do evento.

Como prova disso, os dias de maior número de visitantes estiveram relacionados aos feriados prolongados: o primeiro fim de semana, de sexta a domingo, registrou 125 mil pessoas; e em 21 de abril, Dia de Tiradentes, nada menos que 72 mil pessoas percorreram os espaços do Centro de Eventos.

Escolas

Promover a socialização de práticas leitoras e pedagógicas em um dos mais importantes espaços formativos de novos apreciadores de livros – a escola – é também uma das missões da Bienal. Nesse sentido, vale destacar a exitosa adesão das visitações escolares: em cinco dias (de 17 a 21 de abril), 34,5 mil estudantes de 775 instituições de ensino – públicas, privadas e ONGs – passaram pelo evento, mobilizando 862 ônibus. Gestores, alunos, educadores e educadoras de 59 municípios (um deles do Rio Grande do Norte) usufruíram da programação gratuita e das muitas opções da feira literária.

“O sucesso desta edição se deve também à parceria estabelecida com outras secretarias. A contribuição das pastas municipal e estadual de Educação foi fundamental para a adesão das escolas e a democratização da feira. Além disso, a programação da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado foi um dos grandes atrativos desta Bienal, estendendo a percepção de leitura e literatura para o universo científico”, ressalta Mileide Flores, coordenadora geral da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará.

Para a coordenadora, a XII Bienal do Livro estabelece um marco na cronologia do evento ao se recobrir do espírito-tema que a moveu: a ideia de que cada sujeito traz consigo inúmeras narrativas. Como destaca o secretário da Cultura do Estado do Ceará, Fabiano dos Santos Piúba, também a história desta Bienal não acaba neste domingo: “Ela continua todos os dias, na sequência dos encontros proporcionados e na construção das políticas públicas de cultura, livro, leitura, bibliotecas e acervos – porque políticas públicas não se conjugam na primeira pessoa. São, na verdade, construções coletivas”.

Números:

450 mil pessoas (média de 45 mil pessoas por dia, mesmo com problemas no sistema viário, registrados nos dias 19 e 20)
350 editoras
110 estandes
60 mil títulos expostos
120 toneladas de livros
168 autores
300 convidados
125 horas de atividades, sempre com entrada franca
775 escolas visitaram a Bienal
34.500 estudantes
59 municípios (um deles do Rio Grande do Norte)
862 ônibus destacados para visitações escolares

Acompanhe toda a cobertura fotográfica da XII Benal Internacional do Livro do Ceará em nosso flickr, acesse aqui.