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Foto: Felipe Abud

No segundo dia da XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará, o eixo As Cidades e os Livros reuniu Tércia Montenegro e Jorge Agualusa

Uma cidade pode ser explorada a partir de diferentes aspectos: arquitetura, comida, música. E, sim, pela literatura. Foi o que mostraram os convidados da mesa “Viajantes: Lugares do Mundo”, um dos destaques da programação do segundo dia da XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará, que reuniu o escritor e editor angolano de ascendência portuguesa e brasileira José Eduardo Agualusa e a escritora cearense Tércia Montenegro.

Em um bate-papo conduzido a partir da leitura de trechos de livros de ambos, eles discorreram sobre seus territórios geográficos e afetivos, sobre a construção simbólicas de suas cidades – as de origem, de morada, de visita e da ficção -, sobre viagens e andanças permeadas por suas subjetividades.

“As cidades são sempre inventadas, o escritor cria universos. Se tiver sorte essa cidade caba sendo assimilada pela realidade. Hoje as pessoas vão a Ilhéus, por exemplo, em busca da Ilhéus de Jorge Amado”, comparou Agualusa.

Sobre a relação entre literatura e viagem, Tércia enxerga uma ligação inexorável: “a leitora que fui e que sou estimula a viajante. Antes de conhecer uma paisagem fisicamente posso conhecê-la pelas letras. Muitas vezes fui a Recife em busca de Clarice, ou a São Paulo em busca de Lygia Fagundes Telles. Também vou em busca de lugares povoados por outras artes, pela pintura, pela dança”.

Agualusa, por sua vez, argumentou achar necessário, em algum momento, separar as duas instâncias. “Depois que se conhece um lugar acho importante esquecê-lo. Um romance não é um guia de viagens, mas outra coisa, uma criação. Então é bom que o lugar esteja inteiramente eliminado na sua cabeça, de forma que possamos reinventá-lo”, pontuou.

“Certa vez estive em Luanda com meu editor e ele disse sentir-se enganado, que conhecia Luanda pelos meus livros, mas naquele momento via que era outra coisa. E de fato é outra coisa, é minha Luanda ficcional. Há tantas Luandas quanto pessoas que nela vivem ou visitam”. Tietado, ao fim da conversa Agualusa fez questão de atender todos os fãs, que formaram uma longa fila para autógrafos e fotos.

O salão Terreiro em Sonho segue até dia 25 (domingo) reunindo grandes nomes da literatura, do livro e da leitura, do Ceará, de outros Estados e países, entre eles Marcio Souza (MA), Telma Pacheco (CE), Vera Duarte Pina (Cabo Verde), Maria Valéria Rezende (PB), Nicolas Behr (DF), Chico Alvim (DF), Kaká Werá (SP), Daniel Mundukuro (SP), Ronaldo Correia de Brito (PE), Dina Salústio (Cabo Verde), Gilmar de Carvalho (CE), Pedro Salgueiro (CE), Conceição Evaristo (RJ), Marion Bloem (Amsterdã) e Bel Santos (SP).


Serviço
XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará
De 16 a 25 de agosto, de 10h às 22h
Centro de Eventos do Ceará
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