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Foto: Felipe Abud

Mesa de debates lançou reflexão sobre desafios para conseguir modelo economicamente autossustentável no mercado editorial brasileiro 

Nem só de fama e êxito é a vida de escritores e editoras. Muitos sofrem, principalmente os independentes, com a falta de recursos e de apoio para escrever, produzir, divulgar e apoiar títulos. Pensando no debate e na rica experiência que essas pessoas possam compartilhar para quem deseja se enredar por esse caminho, foi realizada na manhã deste domingo (18) a mesa “Publicação de Autor@s, Indígen@s e de Mulheres no Brasil”, dentro da programação oficial da XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará. 

Os convidados foram Iris Amâncio, proprietária da Editora Nandyala (MG), Anna Karine, proprietária da Editora Aliás (CE), e Daniel Manduruku (SP), importante pesquisador e escritor da cultura indígena. A mesa foi mediada por Sandra Petit, professora da UFC, pesquisadora, e Doutora em Ciências da Educação. Eles comentaram sobre a oportunidade de crescimento que surgiu no mercado editorial independente com a crise financeira das grandes redes de livrarias. A fala de Munduruku foi mais focada na literatura indígena e na luta pelo direito à educação e reconhecimento cultural do seu povo. O escritor reforçou a importância e o respeito que deve ter a difusão do conhecimento através da oralidade pelos mestres da cultura pajé (líder espiritual da tribo indígena). 

A Bienal tem sido um importante lugar de fala da diversidade e dos menos favorecidos. Um exemplo disso foi dado pela convidada Anna Karine, que fundou a editora Aliás, com o propósito de publicar, incentivar e ajudar somente escritoras do sexo feminino. “Sempre participei de saraus, do mercado literário, e sentia essa necessidade de ler livros publicados pelo sexo feminino, principalmente por autoras cearenses. A ideia surgiu a partir da minha análise do contexto social, no qual o homem sempre tinha seu espaço, e quando as mulheres procuravam por alguma editora no mercado para publicar seus livros, encontravam as portas fechadas”, destacou Anna Karine. 

Outro exemplo é da professora de cultura africana na Universidade Fluminense (UFF), Iris Amâncio, com a sua editora e livraria independente Nandyala. A editora é responsável pela publicação e incentivo especializado de autores e culturas africanas no Brasil, sendo a única desse modelo no país. O encontro foi importante para reforçar e referenciar a produção literária de qualidade dos autores negros, indígenas e desfavorecidos.

Sobre a Bienal

A XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará é apresentada pelo Ministério da Cidadania e pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Realizada pelo Instituto Dragão do Mar, Governo do Estado do Ceará, por meio da Secult, e Governo Federal, a Bienal do Livro conta com os patrocínios de Bradesco, Cagece, Grendene e Cegás, e com os apoios de Fecomércio, Sebrae, Universidade de Fortaleza (Unifor), Unilab, TV Ceará, Sistema Verdes Mares, Grupo O Povo, Café Santa Clara, RPS Eventos, Câmara Cearense do Livro, Sindilivros-CE, Câmara Brasileira do Livro (CBL), Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), Associação Nacional de Livrarias (ANL), Prefeitura de Fortaleza e das Secretarias de Educação (Seduc), Turismo (Setur), Cidades (SCidades) e Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado do Ceará (Secitece).


Serviço
XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará
De 16 a 25 de agosto, de 10h às 22h
Centro de Eventos do Ceará
facebook.com/BienalDoLivroDoCeara
instagram.com/bienaldolivroce
bienaldolivro.cultura.ce.gov.br