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Obra foi mote para conversa sobre o legado do “pai da Psicanálise”, em programação do eixo Livros Técnicos e Acadêmicos

A sala lotada no bate-papo “Livros Revolucionários – A interpretação dos sonhos” era uma pista de como a própria existência ainda constitui o grande mistério e encantamento do ser humano, de como a grande busca de nossa espécie segue sendo compreender seu estar no mundo, as experiências e os sentimentos que moldam sua vida.

Dedicada a um dos livros clássicos de Sigmund Freud – “A interpretação dos Sonhos”, que em 2019 completa 120 anos – a mesa teve participação dos psicanalistas Ana Felícia Caracas e Marco Aurélio Ribeiro. Para uma plateia que incluía não apenas profissionais, professores ou estudantes da área, mas interessados em geral – incluindo adolescentes – os convidados discorreram sobre diferentes aspectos da obra do “pai” da Psicanálise, apresentando conceitos básicos e respondendo perguntas.

Antes da participação de seus colegas na mesa, a mediadora Leônia Teixeira deu um breve panorama e uma contextualização histórica do trabalho de Freud (1856-1939). Entre outros aspectos, ressaltou que o conceito do inconsciente já existia e já era pesquisado antes de Freud, mas que o médico neurologista o levou a outro patamar em suas investigações. “À época, Freud e outros médicos atendiam as chamadas ‘mulheres histéricas’, que sofriam de fenômenos passageiros como cegueira, paralisia do corpo, episódios de ‘histeria’, uma forma característica de sofrimento do século 19. Eram fenômenos que chamavam a atenção dos médicos, que em determinado momento passaram a abordá-lo a partir da hipnose”, pontuou Leônia.

“Houve uma paciente que exigiu ser ouvida em vez de interrompida, no sentido de quem precisava falar sobre sua condição era ela mesma. A partir daí Freud começa a construir a Psicanálise”, seguiu a mediadora, mencionando o conceito de livre associação estabelecido por Freud (a fala dentro de uma relação terapêutica), em substituição aos métodos da hipnose e da catarse.

A partir daí Leônida esclareceu um dos fundamentos do trabalho de Freud: apenas a racionalidade não dá conta de explicar o ser humano. “A Psicanálise é marcada fundamentalmente pelo conceito do inconsciente, uma instância psíquica. Somos prioritariamente marcados por impulsos, forças que não conhecemos, não controlamos. E para Freud, nosso inconsciente é privilegiadamente marcado por nossas vivências durante a infância”, observou.

Nesse sentido, Ana Felícia pontuou que Freud reconheceu o papel e o espaço do inconsciente dentro de sua própria obra, ao escrever que “O criador é alguém maior do que eu, é o meu inconsciente”, colocando, portanto, essa sintonia psíquica como determinante em sue trabalho.

Já Marco Aurélio dedicou sua fala mais especificamente aos sonhos, dentro da abordagem de Freud como fenômenos psíquicos que envolvem processos inconscientes, pré-conscientes e conscientes. “Na época em que Freud começou a estudar os sonhos, eles eram desprezados pelos médicos, que eram os cientistas da época”, ressaltou. Segundo o convidado, Freud estabelecia que sonhos não têm sentido único pra todos, mas um sentido único para cada indivíduo, a partir de sua história de vida. “Na terapia você fala dos seus anseios, traumas, angústias. A partir disso, do que o terapeuta conhece de você, é que ele vai analisar significados de seus sonhos”, explicou.

Marco Aurélio esclareceu ainda conceitos como o restos diurnos – acontecimentos, pensamentos, preocupações ou desejos recentes que se ligam a conteúdos inconscientes e podem se fazer presentes no sonho; a ligação dos sonhos com questões orgânicas e com a dimensão sensorial do corpo; o os sonhos quem são comuns a diferentes  indivíduos, por mais distintas que sejam suas histórias e experiências de vida – como experimentar os próprios dentes caindo, a nudez em público, a queda livre ou a incapacidade de correr, de falar. “Para Freud, são sonhos relacionados a diferentes fases de evolução da personalidade da pessoa”, explicou o psicanalista.

Em suas falas, os convidados passaram ainda por conceitos estruturantes do legado de Freud, como as fases do desenvolvimento psicossexual. “Freud determinava a sexualidade não como algo obrigatoriamente relacionado à genitalidade, mas como energia de vida, vital, associada ao prazer”, esclareceu Marco Aurélio. “Enquanto os outros animais são determinados por sua dimensão biológica, o humano é um ser biológico, psicológico e social. Não nos satisfazemos em resolver problemas apenas em sua ordem biológica. Não me satisfaço em comer qualquer coisa apenas pela fome, mas em comer algo gostoso. Uma cobra come qualquer coisa – um sapo, um rato, seco, molhado. Nós não. Comemos em busca também do prazer, que Freud chama de pulsão de vida, que começa desde o nascer”. 

Sobre a Bienal

A XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará é apresentada pelo Ministério da Cidadania e pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Realizada pelo Instituto Dragão do Mar, Governo do Estado do Ceará, por meio da Secult, e Governo Federal, a Bienal do Livro conta com os patrocínios de Bradesco, Cagece, Grendene e Cegás, e com os apoios de Fecomércio, Sebrae, Universidade de Fortaleza (Unifor), UNILAB, TV Ceará, Sistema Verdes Mares, Grupo O Povo, Café Santa Clara, RPS Eventos, Câmara Cearense do Livro, Sindilivros-CE, Câmara Brasileira do Livro (CBL), Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), Associação Nacional de Livrarias (ANL), Prefeitura de Fortaleza e das Secretarias de Educação (Seduc), Turismo (Setur), Cidades (SCidades) e Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado do Ceará (Secitece).


Serviço
XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará
De 16 a 25 de agosto, de 10h às 22h
Centro de Eventos do Ceará
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