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A escritora Amara Moita (direita) confraternizando com o público antes da mesa

As duas falaram sobre a visibilidade da literatura trans e por mulheres negras durante mesa “Atenção no percurso: estamos em obras (2)” no penúltimo dia de Bienal do livro

Quando se fala em mediação da leitura pensa-se logo em um profissional responsável por elaborar e executar atividades de leitura para jovens e crianças. No entanto, trata-se de um trabalho mais amplo. Mediar leitura é também trazer para a visibilidade o que está no campo do invisível. É também discutir e refletir sobre as obras literárias já consagradas.

A XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará trouxe duas convidadas de peso que são verdadeiras mediadoras da leitura: a empreendedora social Bel Santos e a professora universitária Amara Moira. As duas participaram do bate-papo “Atenção no percurso: estamos em obras (2)” na tarde deste sábado (24).

Foram mais de duas horas de mesa. Todo o público atento às convidadas que tinham muito o que falar e falaram. A empreendedora social, Bel Santos, compartilhou sobre o seu trabalho em bibliotecas comunitárias e sobre trazer à visibilidade a literatura produzida por mulheres negras. Segundo ela, é um desafio construir um acervo que dê conta da diversidade sociocultural no Brasil. Mas é esse o desafio de um mediador.  “Ele precisa sempre olhar para a sua estante e pensar: “quem está faltando” ou “qual é a voz que não aparece ainda nas nossas instantes”. Com essa preocupação, a gente vai atrás de olhar dentro da literatura. Se eu não conheço autoras negras, eu preciso conhecer. Se eu não conheço autoras trans e a perspectiva trans, eu preciso conhecer. E quem é que vai fazer esse livro chegar até a mim? É o mediador ou a mediadora de leitura” ressalta.

No entanto, a mediação não se resume a isso. A professora universitária e trans Amara Moira vai além. Segundo ela, é preciso aprender a ler obras consideradas já consagradas com a perspectiva dos debates que estão sendo feitos atualmente. “As obras vão sendo reinterpretadas à medida que esse tempo avança. Isso é natural e necessário. Antes o debate racial era incipiente ou quase não era feito, isso fez com que obras como a do autor Monteiro Lobato tivessem sido produzidas e aceitas”, comenta.

O bate-papo que aconteceu na sala O Sal da Terra terminou com a plateia ainda cheia que aplaudiu as duas convidadas. No fim, teve sessão de autógrafos do livro “E se eu fosse pura?” da professora Amara Moira.

Sobre a Bienal

A XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará é apresentada pelo Ministério da Cidadania e pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Realizada pelo Instituto Dragão do Mar, Governo do Estado do Ceará, por meio da Secult, e Governo Federal, a Bienal do Livro conta com os patrocínios de Bradesco, Cagece, Grendene e Cegás, e com os apoios de Fecomércio, Sebrae, Universidade de Fortaleza (Unifor), Unilab, TV Ceará, Sistema Verdes Mares, Grupo O Povo, Café Santa Clara, RPS Eventos, Câmara Cearense do Livro, Sindilivros-CE, Câmara Brasileira do Livro (CBL), Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), Associação Nacional de Livrarias (ANL), Prefeitura de Fortaleza e das Secretarias de Educação (Seduc), Turismo (Setur), Cidades (SCidades) e Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado do Ceará (Secitece).


Serviço
XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará
De 16 a 25 de agosto, de 10h às 22h
Centro de Eventos do Ceará
facebook.com/BienalDoLivroDoCeara
instagram.com/bienaldolivroce
bienaldolivro.cultura.ce.gov.br