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A dupla fez um paralelo entre a perseguição sofrida por Henfil, pai de Ivan Cosenza, durante a ditadura militar do Brasil e as repressões sofridas no País atualmente

É característica visceral do humor ter uma relação com a política. Corriqueiramente, o humor nasce da crítica, disfarça a acidez pelo riso. Assim era o trabalho de Henfil, que na verdade chamava-se Henrique Souza Filho, cartunista brasileiro que teve forte atuação durante a época da ditadura militar. Assim também é o Armandinho, um personagem de tirinhas que, em sua inocência, carrega críticas ao contemporâneo.

Foi este paralelo entre o passado e o presente que encerrou a programação do Festival de Ilustração da XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará. Na mesa “Ilustração e Censura”, Alexandre Beck, criador de Armandinho, e Ivan Cosenza, filho de Henfil, discutiram, além das opressões vividas na ditadura militar brasileira, as formas de censura que atinge artistas atualmente.

Armandinho, por exemplo, já sofreu as suas represálias. Rafael Limaverde, que mediou a conversa ao lado de Eduardo Azevedo, relembrou o caso: “ele fez uma tirinha que criticava a Polícia Militar e o racismo, e recebeu uma nota da Polícia Militar do Rio Grande do Sul. Isso gerou muitos ataques a ele nas redes sociais, foi até boicotado nos jornais”.

Apesar de ser uma situação indesejada, ela não é nova, segundo analisa Rafael. “É uma experiência que a gente já tinha vivido, principalmente na época da ditadura”. É aí que entra Ivan Cosenza, que contou a história do pai e de seus personagens, com todas as perseguições sofreu o cartunista. “Para ele, o humor era a inversão da expectativa. Não podia falar mal do governo? Ele falava mal do povo, criticava a passividade da população, perguntava porque uma pessoa foi presa por falar algo, mas outras não eram, mesmo pensando a mesma coisa”.

Ivan Consenza vê, na atual conjuntura brasileira, uma outra forma de censura, que não mais é feita através da força e da perseguição direta ao artista, mas da falta de incentivos a produtos das mais diversas linguagens que “não falam o que o governo quer”, nas palavras dele.

O Festival de Ilustração na XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará

Se há seis bienais o Festival de Ilustração do Ceará ainda era um espaço novo e pequeno, com apenas duas exposições, na edição de 2019 ele levantou a expectativa do público mesmo antes do início da Bienal do Livro. “A cada edição aumentamos o nosso espaço. Em 2019 o maior que a gente já trabalhou”, explica Rafael Limaverde, que também é coordenador do Festival.

Um dos destaques, para ele, foi a grande participação do público infantil, que dominou o Festival durante as manhãs e as tardes da Bienal. “Alguns pais falaram que todos os anos trazem os filhos para o Festival de Ilustração da Bienal e é bem legal ver que o espaço já está na memória afetiva das pessoas”, comemora Rafael. Para os mais velhos, o Festival promoveu uma sequência de debates sobre ilustração relacionados a temas como feminismo, negritude e política.

Sobre a Bienal

A XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará é apresentada pelo Ministério da Cidadania e pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Realizada pelo Instituto Dragão do Mar, Governo do Estado do Ceará, por meio da Secult, e Governo Federal, a Bienal do Livro conta com os patrocínios de Bradesco, Cagece, Grendene e Cegás, e com os apoios de Fecomércio, Sebrae, Universidade de Fortaleza (Unifor), Unilab, TV Ceará, Sistema Verdes Mares, Grupo O Povo, Café Santa Clara, RPS Eventos, Câmara Cearense do Livro, Sindilivros-CE, Câmara Brasileira do Livro (CBL), Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), Associação Nacional de Livrarias (ANL), Prefeitura de Fortaleza e das Secretarias de Educação (Seduc), Turismo (Setur), Cidades (SCidades) e Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado do Ceará (Secitece).


Serviço
XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará
De 16 a 25 de agosto, de 10h às 22h
Centro de Eventos do Ceará
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instagram.com/bienaldolivroce
bienaldolivro.cultura.ce.gov.br