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Em mesa deste domingo (25), último dia da XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará, três mulheres conversaram sobre os papéis e a importância dos clubes de leitura

A leitura como ato coletivo, compartilhado, ampliado e de sociabilidade. Essa é uma das respostas possíveis à pergunta-título da mesa “Encontro com os Livros: o que são clubes de leitura?”, encontro deste domingo (25) do eixo Literatura, Juventude e Periferia, na XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará. Em pouco mais de uma hora e meia, Alessandra Jarreta (CE), Charlene Ximenes (CE) e Maria Aline Costa (CE) dividiram suas experiências como mediadoras e criadoras de clubes de leitura em Fortaleza, falaram sobre a importância desse tipo de atividade e desmistificaram aspectos comumente associados à prática da leitura. 

Em suas falas, as participantes concordaram na avaliação dos clubes como espaços para ampliar o processo da leitura. “Embora, para mim, o ato de ler nunca seja solitário – porque você não vai apenas decodificar aquele texto, mas estabelecer uma conversa com o autor, com o que conhece sobre ele, considerar o contexto em que aquela obra foi escrita, em um diálogo constante -, nos clubes você encontra as perspectivas de outros sujeitos leitores, que conheceram aquele autor de outra forma, que vêm de realidades sociais distintas da sua e por isso trazem outras referências”, resumiu Maria Aline Costa, mediadora de clubes como o Piquenique Literário.

Criadora e organizadora do Leia Mais Mulheres, entre outros clubes, Alessandra Jarreta também chamou atenção para esse processo de troca. “Se for para ficar em uma experiência restrita ao livro, a pessoa lê em casa, sozinha. O lance dos clubes é trocar opiniões, perspectivas, impressões, e falar sobre temas que se relacionam com aquela obra, mas que são diversos, que vão além dela”.

A mediadora comentou ainda sobre o papel dos clubes na diversificação de leituras e na descoberta de novos autores. “No Leia mais Mulheres, tive que intervir porque as participantes só estavam sugerindo autoras brancas europeias. Em tal momento eu disse ‘olha, tem outros países, outro perfil de escritora’”, lembrou.

O trio também comentou sobre os desafios que envolvem o ato de mediar clubes de leitura. “Para mim a mediação envolve um compromisso que muitas vezes vai além de ler o livro, envolve uma pesquisa, certa preparação. Costumo ler outras coisas do ou sobre o autor, assistir a filmes relacionados. Porque procuro sempre falar sobre esse autor, contextualizar um pouco. Mas há momentos em que você não consegue fazer isso, nem mesmo terminar o livro antes do encontro. É normal”, compartilhou Charlene Ximenes.

Para ela, desmistificar esse tipo de impressão é importante inclusive quando se fala da prática da leitura no âmbito individual. “As pessoas pensam que há muitas regras para um clube de leitura, mas não é assim. Há algumas determinações necessárias para a gestão, mas não para participar ou mediar. E isso também vale para ser leitor, é um processo maior do que ler obrigatoriamente tantas páginas por dia ou todo dia ou tantos livros por mês. Leitura não concluída é leitura do mesmo jeito”, pontuou.

A fala foi reforçada por Alessandra. “Teve um período em que me afastei bastante da leitura, porque tive muita ansiedade pela cobrança das pessoas. Por ser mediadora, sempre me perguntavam como conseguia ler tantos livros, que estratégias usava, quando nem sempre isso acontecia. Você começa a ficar ansiosa e a gerar uma ideia que também causa ansiedade nos outros. E leitura não é para ser isso, é para ser algo prazeroso”, criticou.

Sobre a Bienal

A XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará é apresentada pelo Ministério da Cidadania e pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Realizada pelo Instituto Dragão do Mar, Governo do Estado do Ceará, por meio da Secult, e Governo Federal, a Bienal do Livro conta com os patrocínios de Bradesco, Cagece, Grendene e Cegás, e com os apoios de Fecomércio, Sebrae, Universidade de Fortaleza (Unifor), Unilab, TV Ceará, Sistema Verdes Mares, Grupo O Povo, Café Santa Clara, RPS Eventos, Câmara Cearense do Livro, Sindilivros-CE, Câmara Brasileira do Livro (CBL), Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), Associação Nacional de Livrarias (ANL), Prefeitura de Fortaleza e das Secretarias de Educação (Seduc), Turismo (Setur), Cidades (SCidades) e Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado do Ceará (Secitece).


Serviço
XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará
De 16 a 25 de agosto, de 10h às 22h
Centro de Eventos do Ceará
facebook.com/BienalDoLivroDoCeara
instagram.com/bienaldolivroce
bienaldolivro.cultura.ce.gov.br