Lista de livros com idosos na literatura infantil

Por Goreth Albuquerque
Coordenadora do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (Secult/CE) e Coordenadora Geral da Pré-Bienal do Livro 2022

A temática do envelhecimento, nos dias de hoje, vem sendo tratada de modo amplo, desenvolvida a partir de vários olhares. Uma possibilidade é a partir de uma visão sociológica, em que se analisa o aumento da presença das pessoas idosas na sociedade, decorrente dos avanços das tecnologias para saúde e a consequente longevidade, além de suas implicações, como a criação de políticas públicas para a garantia de direitos e de qualidade de vida dessa população. 

Os conceitos dos campos psi e dos estudos culturais como, subjetivação e de representação social, também trazem contribuições para as investigações sobre a velhice na sociedade contemporânea. A partir destes princípios teóricos, é possível compreender que o desenvolvimento de subjetividade se constitui por meio de processos de subjetivação que vão se dando na experiência sociocultural que vivemos. Assim, o encontro com a literatura como produção simbólica da nossa cultura é uma experiência que, por meio do narrador, pode contribuir para as possibilidades de significação do mundo pelas crianças e também da velhice como processo natural de estar no mundo. 

Na XIV Pré-Bienal do Livro, a mesa “A representação social do idoso na Literatura infantil”, com a  psicóloga estudiosa do envelhecimento humano Verônica Bohm (RS), mediada pela bibliotecária Laiana Sousa (CE), trata da temática e sua abordagem pela literatura voltada para infância. A conversa, veiculada no dia 22 de fevereiro de 2022, está disponível no Youtube da Biblioteca Estadual do Ceará (BECE). 

Abaixo, segue sugestões de livros em que você pode conferir como o tema é abordado por escritores brasileiros e de outros países:

Menina Nina, de Ziraldo (Editora Melhoramentos)

Este livro é, sem dúvida, o mais comovente de todos os que Ziraldo já escreveu para crianças. Com uma enternecedora força poética, o autor sonda os mistérios da vida e da morte e, numa linguagem cuidada e simples, consegue falar da dor de um modo delicado e cheio de esperança. É, claro, uma conversa difícil para se ter com crianças, mas aqui está o segredo de quem sabe falar para elas com precisão e sensibilidade.

Minhas duas avós, de Ana Teixeira (Editora Pólen)

A partir da observação dos próprios netos sobre Ana e Paula, as avós do livro e da vida real, Ana Teixeira conta a história de duas mulheres muito diferentes, que vivem juntas na Casa das Formigas – um universo lúdico de imagens de avós que todos nós gostaríamos de ter. Os desenhos dos meninos interagem com fotos da autora dos ambientes em que a história se desenrola e reforçam as diferenças entre as personagens, justamente para mostrar que somos iguais em nossas peculiaridades. A edição impressa traz um espaço para que as crianças respondam à sua maneira a pergunta: “Quem é igual, afinal?”. E a digital conta com animações, áudio da narração e audiodescrição, em uma versão inclusiva e divertida.

Agora Pode Chover, de Celso Sisto (Editora Melhoramentos)

É possível conversar com alguém que a gente ama, mas que já foi embora? Embora para sempre? Definitivamente. Mas, e se esse alguém voltasse só um pouquinho, não como era antes, até bastante diferente, e só a gente soubesse que aquela libélula, na verdade, era gente? Uma libélula-gente? Num texto que amarra bem forte o amor de uma neta ao amor de um avô, Celso Sisto nos conduz ao coração de uma menina com extrema delicadeza e sussurramos junto com ela a palavra mágica que derruba todas as fronteiras. As que existem entre um humano e qualquer outro ser vivo, entre a presença e a ausência, entre a vida e a morte. E então pode chover, pois o recado já foi dado, e dentro da neta o avô é um sol.

Vó coruja, de Daniel Munduruku, Heloisa Prieto e Daniel Kondo (Companhia das Letrinhas)

Era um dia de comemoração. Dona Irani promovia uma festa de aniversário na aldeia, com direito a bolo, vela e “parabéns”, costumes da cidade que seus netos tanto apreciavam. Mas, mesmo com todos os atrativos, a estrela da vez foi a avó coruja e as aventuras que narrou. As histórias da velha que mudou de pele, do roubo da noite, do fogo que se espalhou pela Terra, entre outros contos indígenas, fascinaram cada um dos convidados – e Dona Irani entendeu que os segredos da tradição ainda tinham o poder de unir a todos, fossem da cidade, da aldeia ou de qualquer lugar.

Carta Errante, Avó Atrapalhada, Menina Aniversariante, de Mirna Pinsky e Ionit Zilberman (Editora FTD)
*Pode ser encontrado na BECE

Pedro Boné trabalhava nos correios e sua função era responder cartas enviadas para Papai Noel e Super-Homem, descobrir endereços incompletos, traduzir caligrafias ilegíveis… Ele gastava dias e noites para evitar que essas cartas fossem parar no lixo. Até que um dia lhe surge um grande desafio: a menina Luciana precisava receber a carta da avó que, toda atrapalhada, escrevera em hebraico o nome da cidade em que a neta morava. Embora não fosse poliglota, Pedro Boné tinha boa vontade! Seria o suficiente para resolver esse problemão? Esta obra ganhou, em 1995, o Prêmio Jabuti de Melhor Livro Infantil.

Bisa Bia, Bisa Bel, de Ana Maria Machado (Editora Salamandra)
*Pode ser encontrado na BECE

Bel é cheia de imaginação e questões. A partir de um velho retrato, ela desenvolve um relacionamento imaginário com a bisavó e, a seguir, com sua futura bisneta. O diálogo de Bel com o passado e o futuro é uma mistura encantadora do real com a fantasia, levando o leitor a perceber as mudanças no papel da mulher na sociedade.

Histórias de Avô e Avó, de Arthur Nestrovski (Companhia das Letrinhas)
*Pode ser encontrado na BECE

Escrito pelo crítico e professor de música Arthur Nestrovski, o livro integra a coleção Memória e História, voltada para o passado brasileiro e para as diferenças e semelhanças entre os inúmeros grupos que constituem a população do país. Neste livro, de cunho autobiográfico, Arthur fala de sua família, formada por imigrantes russos de origem judaica. O destaque vai para vô Maurício e vô Felipe, vó Olga (na verdade bisavó), vó Luísa e vó Póli – todos adoráveis e cheios de histórias para contar. Como aquela vez em que vó Luísa, ainda menina, levou uma corrida de um touro, ou quando vô Felipe comprou um carro e, mesmo sem saber dirigir, resolveu que ia fazer o automóvel andar de qualquer jeito… Mas se fossem outros os avós, as histórias seriam as mesmas? Provavelmente seriam parecidas, porque os avós costumam adorar os netos e vice-versa. A edição é ilustrada por Maria Eugênia e traz fotografias antigas e cartões-postais do começo do século. Título Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ 1998, categoria informativo.

Pé de pilão, de Mário Quintana (Companhia das Letrinhas)
*Pode ser encontrado na BECE

Mais do que um poema, estes versos contam a aventura fantástica que um menino vive quando é transformado em um patinho amarelo por uma bruxa e precisa reencontrar sua avó. É bom que você saiba que esta é uma história diferente de tudo que você já leu por aí. Nela, você vai conhecer um patinho que, na verdade, é um menino que quer reencontrar sua avó, um macaco retratista muito primoroso, um policial cavalo que se locomove sobre outro cavalo e uma fada malvada que vive em uma floresta encantada. Com tantas situações fantásticas, rimas e risadas, pode ter certeza de uma coisa: esta história de Mário Quintana, um dos poetas brasileiros que mais escreveu sobre a infância, vai te deixar encantado.

Histórias de antigamente, de Patricia Auerbach (Companhia das Letrinhas)
*Pode ser encontrado na BECE

Toda família tem histórias que passam de uma geração para outra. Patricia Auerbach sempre gostou muito de saber sobre a vida de antigamente, e ficava pedindo para os avós e pais contarem histórias engraçadas e interessantes que aconteceram com eles. Além de narrar seus divertidos causos familiares e falar sobre os costumes de outra época, a autora explica como e quando algumas engenhocas que revolucionaram o nosso jeito de viver – como a televisão, a geladeira, o carro, a privada e o telefone – foram inventadas. Quem sabe, por exemplo, como eram os sorvetes antes da invenção da geladeira? E como as pessoas acompanhavam os jogos de futebol sem televisão?

Guilherme Augusto Araújo Fernandes, de Mem Fox e Julie Vivas (Ed. Brinque-book)
*Pode ser encontrado na BECE

Este título é o nome do personagem, que era vizinho de um asilo de idosos, todos seus amigos. Mas era de Dona Antônia que ele mais gostava. Então, monta uma cesta e vai levá-la a Dona Antônia. Quando ela recebe os presentes, conchas, marionete, medalha, bola de futebol e um ovo ainda quente, cada um deles lhe devolve a lembrança de belas histórias.Quando soube que ela perdera a memória, quis saber o que isso significava e foi perguntar aos outros moradores do asilo. Como resposta, ouve que a memória é algo bem antigo, que faz chorar, faz rir, vale ouro e é quente.

Para conhecer mais

“Como ser babá do vovô”, de Jean Reagan e Lee Wildishe (Companhia das Letrinhas)
“Última Parada, Rua do Mercado”, de Matt de la Peña e Christian Robinson (Editora FTD)
“Minha valente avó”, de Edu, Ana e Andreia Prestes e Marília Pirillo (Quase Oito)
“Café da manhã”, de Micaela Chirif e Gabriel Alayza (SM)
“O caderno da avó Clara”, de Susana Ventura (Sesi-SP Editora)
“O amor pega feito um bocejo”, de Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira e Rogério Coelho (Companhia das Letrinhas)
“Vovó veio do Japão”, de Janaina Tokitaka, Raquel Matsushita, Mika Takahashi e Talita Nozomi (Companhia das Letrinhas)
“A vovó virou bebê”, de Renata Paiva (Panda Books)
“Serei sempre o teu abrigo”, de Valter Hugo Mãe (Editora Biblioteca Azul)
“Minha avó pede desculpas”, de Fredrik Backman e Paulo Chagas de Souza (Editora Fábrica231)

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